HISTÓRICO

Muito parecido com o que vem acontecendo no Brasil, as ações policiais relacionadas às drogas nos Estados Unidos , no início dos anos 1980, restringia-se na apreensão de drogas e na prisão de delinqüentes. Ações opostas de repressão nestes e preventivas naqueles. Além disso, o contexto demonstrava uma aumento significativo da oferta de drogas nas portas das escolas. (PEROVANO, 2006). 

 Daryl F. Gates

Daryl F. Gates Em Janeiro de 1983, o Chefe de Polícia Daryl F. Gates, do Departamento de Polícia de Los Angeles (L.A.P.D.), reuniu-se como Dr. Harry Handler, Superintendente do Distrito Escolar Unificado de Los Angeles (L.A.U.S.D.) para discutir sobre como parar o ciclo gerador do abuso de drogas, das condutas criminosas e das prisões relacionadas ao abuso de drogas. Ao contrário dos outros esforços preventivos existentes à época, o Programa D.A.R.E. não tinha suporte financeiro dentro do orçamento do Departamento de Polícia de Los Angeles. Assim, em 1984, sob a liderança do Sub-Chefe de Polícia aposentado, Glenn Levant, foi criado o Conselho Consultivo de Prevenção Criminal (C.P.A.C.) para financiar o Programa D.A.R.E. e outras atividades relacionadas aos esforços preventivos do L.A.P.D.. Espalharam-se as notícias sobre o Programa, o que resultou em grande volume de solicitações de outras comunidades (fora de Los Angeles), para implementação de programas de prevenção consistentes como o D.A.R.E.. Para atender à crescente demanda. o C.P.A.C. expandiu-se e tornou-seDARE California. O DARE California financiou a implantação do programa em todo o Estado, oferecendo treinamento aos policiais, lições do currículo, materiais suplementares e orientações técnicas. Com o crescimento do sucesso e da fama do Programa D.A.R.E., a demanda por implantação do programa cresceu em todos os Estados Unidos e também pelo mundo. Nesse sentido foi criada, em 1989, a ONG intitulada DARE America. Mais de 68.000 policiais foram capacitados para aplicar as lições do D.A.R.E., desde o lançamento do programa pelo pioneirismo dos "Original Ten" (Dez primeiros Instrutores D.A.R.E.). Deste contexto foi desenvolvido um Programa denominado “Drug Abuse Resistance Education - D.A.R.E”, ou traduzido como Educação para a Resistência ao Abuso de Drogas, segundo Ennett, Tobler, Ringwalt, & Flewelling (1994), foi desenvolvido com trabalho conjunto entre o Departamento de Polícia de Los Angeles, Estados Unidos (EUA), e o Distrito Escolar daquela cidade, sendo implantado em cerca de 50% das escolas locais de Los Angeles e em todo o território dos Estados Unidos, como um esforço para conter a escalada do uso indiscriminado de drogas e a violência, que acreditavam ser uma consequência das primeiras, através da conscientização das crianças em idade escolar (BRUNETTA, 2006 apud SCHLISCHTING, 2010, p. 58).



 O currículo D.A.R.E. foi, em um primeiro momento, aplicado às crianças da quinta série, com aproximadamente onze anos de idade, na cidade de Los Angeles, em 1983. (ENNETT, TOBLER, RINGWALT, & FLEWELLING, 1994) Assim, estabeleceu-se como um dos seus objetivos “ensinar as crianças a reconhecer e a resistir às classes das substâncias psicotrópicas e, principalmente, identificar as pressões pessoais e de grupos, da mídia e outros canais” para assim não fazer uso dessas drogas. (PEROVANO, 2006, p. 94). Nesse viés, também se destaca a relevância de o aluno fortalecer sua auto-estima para manter um bom relacionamento interpessoal em seu grupo, família, desenvolvendo o senso crítico e a consciência da importância de tomar as decisões corretas para ter uma vida sadia (MACHADO, 2008 apud SCHLISCHTING, 2010, p. 59). O projeto, inicialmente, possuía como padrão aulas semanais curriculares, tendo por objetivo treinar os estudantes para resistir às pressões para que se envolvam com drogas por parte de seu grupo de pares, da mídia e até dos pais (se for o caso). (BRUNETTA, 2006, p. 65apud SCHLISCHTING, 2010, p 59). Ennett, Tobler, Ringwalt, & Flewelling (1994) descrevem que o programa incluía uma série de exercícios e atividades em sala de aula que ensinavam aos estudantes o como deveriam recusar, se esquivar e a não ceder perante a oferta de drogas. Este programa era aplicado por membros do próprio projeto, que, muitas vezes, eram policiais. Com a percepção de que havia a necessidade de um maior raio de atuação, o programa sofreu um acréscimo de currículo e foi expandido, nos EUA, para atender às crianças da Educação Infantil e aos jovens matriculados no Ensino Fundamental e Médio. Em 1988, percebendo que havia uma mescla de povos que geravam problemas na comunicação e a existência de alunos com necessidades especiais, o livro do estudante passou a ser impressa também em espanhol e em Braille. (DELL’ ANTÔNIA, 1999). Seguindo um padrão de normas de conduta referentes à aplicação do programa, as aulas deveriam ser ministradas por policiais fardados, os quais se apresentavam aos alunos sempre desarmados, por ser considerado que poderia gerar um desconforto entre o Educador e os alunos. Dell’Antônia (1999, p. 40), descreve que antes de ingressarem no programa D.A.R.E. os policiais recebiam oitenta horas de treinamento específico, especialmente nas áreas do desenvolvimento infantil e da adolescência; aprendiam técnicas de ensino e habilidades de comunicação. Outras quarenta horas de treinamento eram ministradas aos Educadores do D.A.R.E., com a intenção de que estes fossem preparados para Instruir os alunos da escola secundária. Não eram formados professores, e sim, educadores sociais. Importante detalhe é que a capacitação era realizada sob a supervisão de profissionais das áreas de Educação, Psicologia e Farmacologia. Segundo Dell’Antônia (1999, p. 35), o D.A.R.E., naquele ano, era desenvolvido em cinquenta Estados americanos e em aproximadamente 58 países, nos cinco continentes.. Hoje, 30 anos depois, segundo o D.A.R.E. International (órgão mantenedor do programa nos Estados Unidos) o programa existe em 49 países com o número estimado de aproximadamente 50 milhões de alunos formados. (BRUNETTA, 2006, p. 65 apud SCHLISCHTING, 2010, p 59) Os países onde atualmente está sendo desenvolvido o programa D.A.R.E. são: Anguilla, Antígua e Barbuda, Austrália, Bahrein, ,Barbados, Bélgica, Bolívia, Brasil, Canadá, Ilhas Cayman, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Curaçao, Dominica, El Salvador, Ilhas Malvinas, Finlândia, Alemanha, Granada, Guatemala, Honduras, Hungria, Islândia, Itália, Japão, Cazaquistão, México, Micronésia, Montseratt, Nova Zelândia, Nicarágua, Noruega, Panamá, Filipinas, Porto Rico, Coréia do Sul, Espanha, São Cristóvão e Névis, St. Lucia, St. Maarten, São Vicente e Granadinas, Suécia, Tailândia, Trinidad & Tobago, Turquia, Reino Unido, Ilhas Virgens, País de Gales (DARE INTERNATIONAL, 2012) CHEGADA NO BRASIL- NASCE O PROERD A adaptação do D.A.R.E. à nossa realidade se ateve a transformações da sigla e à adaptação e a aplicação do Programa para crianças da quarta série do ensino fundamental (considerando a faixa etária de 09 a 12 anos). Em relação aos aspetos pedagógicos não houve mudanças, de início. Nascia destas adequações o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência – Proerd no primeiro semestre de 1992. (RATEKE, 2006, p.42). O interesse em desenvolver um projeto de prevenção que ampliasse o esclarecimento da população, principalmente de crianças e jovens a respeito dos diversos aspectos relacionados às drogas e aos diferentes tipos de violências fez com que a Polícia Militar do Rio de Janeiro buscasse uma solução. DELL’ANTÔNIA (1999, p. 39). Buscou-se, inicialmente, esta solução foi a realização das já conhecidas palestras em estabelecimentos de ensino. os integrantes da extinta Assessoria Técnica de Assuntos Especiais/ATAE participaram de uma palestra proferida pelo Sargento Steve Keyser, do Departamento de Polícia de Los Angeles, na cidade do Rio de Janeiro (RJ) e, posteriormente, pela obtenção de informações mais detalhadas sobre o Programa, onde se verificou que o conteúdo do D.A.R.E. em muito poderia subsidiar a elaboração do Projeto que se pretendia implantar no âmbito de nosso Estado. Este foi o primeiro contato com o desconhecido programa D.A.R.E. (COORDENADORIA OPERACIONAL PROERD – PMERJ, 2012) Após este acontecimento, a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro - PMERJ e a Embaixada Norte América, firmaram um acordo de parceria e foi acertado o comparecimento de uma equipe de profissionais do Departamento de Los Angeles para treinar policiais militares. (COORDENADORIA OPERACIONAL PROERD – PMERJ, 2012). Com a vinda da equipe composta por cinco Policiais do Departamento de Polícia de Los Angeles e dois da cidade de San Diego no período de 17 a 28 de agosto de 1992, foi realizada a capacitação que possibilitou o credenciamento dos 29 (vinte e nove) primeiros policiais militares educadores do programa. 









FUNCIONAMENTO DO PROERD NO RN

O PROERD é desenvolvido pela Companhia Independente de Prevenção ao Uso de Drogas – CIPRED. A única Unidade de Polícia Militar do país que tem suas ações voltadas à prevenção ao uso de drogas e a violência atua junto a escolas das redes Pública e Privada de ensino no Estado.
O programa teve suas atividades iniciadas em 07 de março de 2002. Teve como coordenadores o Coronel Francisco Belarmino Dantas Júnior (2002-2003), a Tenente Coronel Margarida Brandão (2003 - 2015). Atualmente é coordenado pelo 1º Tenente Willame Bruno da Silva Barbosa. Conta com um efetivo de 51 (cinquenta e um) policiais militares instrutores prontos. Desde o início das atividades, já passaram pelos seus cursos, mais de 300.000 (trezentas mil) crianças, adolescentes e suas famílias.
Dentro das modalidades de prevenção desenvolvidas pelo PROERD há a música. Com a Banda Geração PROERD a linguagem musical é utilizada na construção de valores de prevenção e cidadania com crianças e adolescentes. Outra atividade desenvolvida é o programa PROERD EM AÇÃO que vai ao ar todas as terças-feiras as 18:30 pela TV Cristo Rei canal 05 na cidade de Currais Novos/RN.
O PROERD promove nas escolas públicas, privadas e comunidades, a cultura de paz, contribuindo para a construção de uma geração mais segura e responsável.

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